'As Horas', por Nabila Rodriguez / Defina Cine #1

Aqui está a nova seção do Embrulhador. Vamos falar sobre cinema? Um convidado escolhe um filme e tem espaço livre para compartilhar suas impressões, sua opinião e detalhes que, no seu ponto de vista, merecem ser ressaltados. Para começar, Nabila Rodriguez. 3, 2, 1... Valendo!


"Laura repousa a cabeça sob um travesseiro de hotel, junto aos frascos de remédios. Virgínia delicadamente posta o corpo no chão, ao lado de um passarinho morto. Richard mergulha em suas memórias através da janela, finalmente aberta. Em tempos distintos o silêncio segue e eu me vi na cama retribuindo o olhar fixo dessas personagens, encarando seus fantasmas sobre a vida e a morte, a um palmo do meu rosto.

Muitos dizem que ‘As Horas’ é um filme que entrelaça suicídio, depressão e literatura, por trazer Virgínia Woolf enquanto escreve o livro ‘Mrs Dalloway’, que é a liga para as personagens. Eu acho que a palavra que o define é desespero. Um desespero mudo, como nas cenas descritas acima e compactuado por mim naquele momento. É aí onde a mágica acontece: nesses conflitos, onde a palavra não cabe para traduzir a dor, a gente se vê em alguém que não existe e troca figurinhas em segredo".

AS HORAS (The Hours, 2002). Dirigido por Stephen Daldry. Baseado na obra de Michael Cunningham, com roteiro de David Hare. Elenco principal: Meryl Streep, Nicole Kidman e Julianne Moore.